Texto de apoio. Atividade: A imagem como fonte
página 46 do Livro Didático.
A
foto mostra o monumento a Borba Gato criador pelo escultor Júlio Guerra e
inaugurado em 1963. Encontra-se na entrada de Santo Amaro, bairro da cidade de
São Paulo onde o escultor nasceu. A estatua chama a atenção pelo tamanho: mede
10 m de altura (mais de 2,40 m de pedestal); seu peso total é de 4 toneladas.
Os
traços de Borba Gato (1628-1717) foram inventados, pois não há registros de sua
aparência. Na época, nenhum pintor o retratou, e a fotografia, como se sabe,
ainda não havia sido inventada. A imagem de Borba Gato imaginada e esculpida
por Júlio Guerra é semelhante à de outros bandeirantes retratados em pinturas:
ele aparece de barba, chapelão de abas largas, altas botas de montar e porta
uma arma de fogo (um mosquete).
Na
verdade, a maioria dos bandeirantes vestia trajes grosseiros e caminhava
descalça. Até mais ou menos 1625, o cavalo era desconhecido das áreas de
influencia paulista, o que torna ainda mais remota a possibilidade do uso de
altas botas de montar no inicio do movimento bandeirante.
Essa
estatua uma homenagem a Borba Gato, visa colaborar para a construção de um
memória positiva dessa personagem. A sociedade que a concebeu, no caso a
paulistana, construiu esse monumento visando também dar-lhe maior visibilidade.
Essa estatua ajuda ainda a perpetuar uma certa memória que elege os
bandeirantes como “heróis da pátria”.
Mas
será que o Borba Gato de carne e osso foi, de fato, alguém digno de admiração e
respeito?
Borba
Gato participou de uma expedição liderada por seu sogro, o também bandeirante
Fernão Dias Pais. Veja o que o historiador Manuel Monteiro diz sobre o
episódio:
“É bastante provável que esta expedição tenha descoberto
ouro, o que explica em parte o assassinato de dom Rodrigo Castelo Branco (Administrador Geral
das minas) pela mão do genro de Fernão
Dias Pais, Manuel da Borba Gato. Após o crime, Borba Gato passou vinte anos
refugiado na Serra da Mantiqueira, onde se tornou líder de um grupo indígena,
mantendo-se a uma distancia segura da Justiça colonial. Quando da descoberta
das principais jazidas, A Coroa necessitada dos conhecimentos de Borba Gato –
concedeu perdão, sendo que este logo se tornou um dos homens mais ricos das
novas minas de ouro”.
MONTEIRO, John Manuel.
Negros da terra: índios e bandeirantes
nas origens de São Paulo. São Paulo: Companhia das Letras, 1994. P. 243.